quarta-feira, 10 de março de 2010

Está a ser testada nova vacina contra cancro do pulmão (CiênciaHoje)

A ideia de encontrar uma vacina capaz de atacar as células tumorais não se mostrou tão útil como teriam desejado os cientistas.
Algumas das tentativas desenvolvidas até então funcionaram apenas a meio-gás, por isso há que ter cuidado a analisar esta notícia: uma terapia eficaz imune contra um tipo de tumor de pulmão − o mesotelioma.
Mesotelioma é dos cancros mais mortais

A teoria é atractiva − se o sistema imunológico do organismo humano fosse capaz de identificar e atacar as células tumorais como faz contra os vírus ou bactérias externas, talvez as próprias células defensivas pudessem acabar com elas internamente. Mas isto não é assim tão simples. É necessário haver uma resposta suficientemente intensa para que tenha potencial anti-canceroso, mas sem efeitos secundários indesejáveis.

A última tentativa de encontrar uma vacina para combater um dos tipos de cancro mais mortais vem publicada na revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

O mesotelioma produz-se na pleura, a membrana que reveste os pulmões e está fortemente relacionado com a exposição ao amianto, um componente tóxico que se usou durante décadas na indústria antes da sua proibição.

A equipa de Joachim Aerts, do Centro Médico Erasmo de Roterdão, na Holanda, tem estado a provar a eficácia de uma vacina contra o mesotelioma.

Os testes em animais mostraram que as células dendríticas do próprio sistema imunitário eram capazes de travar a doença e agora acabam de publicar os resultados com os primeiros dez pacientes que testaram a terapia.

Ensaios e eficácia
Trata-se ainda da primeira fase do ensaio, cujo primeiro objectivo era demonstrar que a terapia também é segura em humanos, mesmo que anteriormente já tenham observado indícios de eficácia.

Os investigadores extraíram células dendríticas imaturas do sistema imunitário de dez pacientes com mesotelioma em fases iniciais que já tinham sido sujeitos a quimioterapia.

Em laboratório, estas células defensivas foram tratadas para que reconhecessem como estranhos os antigénios do tumor e posteriormente foram reinjectadas no organismo (três vezes durante duas semanas).

Mesmo que o trabalho ainda seja experimental para dar conclusões exactas, os investigadores observaram nas amostras de sangue dos participantes um aumento significativo de anticorpos − as substâncias que produz o organismo quando detecta elementos estranhos.

Célula dendrítica ataca célula cancerígena

Em relação a efeitos secundários apenas se registaram alguns problemas de febre e sintomas parecidos com a gripe no dia seguinte à injecção.

Amianto continua a atacar
Detectámos uma resposta imune num número mínimo de pacientes após a vacinação, se isto se traduz numa melhora da esperança de vida a longo prazo deve ser elucidado em futuros trabalhos”, reconhecem os autores. Três dos pacientes mostraram uma regressão tumoral, mas não se pode concluir que se deva à vacina.

Mesmo que o amianto esteja proibido na grande parte dos países desenvolvidos (na União Europeia foi proibida toda e qualquer utilização desta fibra mineral desde Janeiro de 2005), o mesotelioma é uma doença que pode levar de 20 a 50 anos a desenvolver-se desde o momento da exposição.

Por isto, Aerts alerta que a incidência e mortalidade causada por este cancro vai continuar a aumentar mesmo depois de 2020. Com os actuais regimes de quimioterapia, a esperança média de vida depois do diagnóstico não supera os 12 meses e os investigadores acrescentam que “é urgente continuar a trabalhar em vias alternativas que levem a novas terapias”.

terça-feira, 9 de março de 2010

Os telemóveis e os tumores cerebrais

Já todos ouvimos a história de que os telemóveis provocam tumores cerebrais. Mas será que é verdade?

"O uso intensivo do telemóvel não está directamente relacionado com o aparecimento do cancro cerebral, garante o Ministério da Saúde, citado pelo Destak.
(…)
No caso dos telemóveis, admite-se que, do ponto vista teórico, haja “razão de ser” na criação do mito. “Existem três tipos de radiação que podem constituir potenciais factores de risco”, entre os quais a dos telemóveis, lê-se. Mas um estudo levado a cabo por investigadores americanos, (publicado no New England Journal of Medicin, em 2001), onde se compara o tipo e intensidade de utilização de telemóveis de doentes com e sem cancro, indica o contrário.
Nesse estudo, 782 doentes foram internados em hospitais dos EUA com cancro e comparados com 799 doentes também internados mas sem esse diagnóstico, e a “conclusão foi não haver qualquer relação entre a utilização de telemóveis durante um período superior a 100 horas, de pelo menos 60 minutos por dia ou regularmente durante pelo menos cinco anos”, lê-se.
De qualquer maneira as pessoas podem ficar descansadas, já que não existe qualquer relação entre o uso de telemóveis e o cancro cerebral’ "

in POP

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mapas tridimensionais ajudam a detectar cancro na próstata (CiênciaHoje)

Apesar de ser um dos tumores mais habituais, o diagnóstico do cancro da próstata continua a ser um desafio para os oncologistas, que muitas vezes encontram falsos negativos que dificultam o seu trabalho.

Um novo estudo, publicado na revista 'Science Traslational Medicine', aponta um dos caminhos futuros, com o desenho de mapas tridimensionais da doença a partir de alterações químicas que ocorrem nos tecidos nas células malignas.

Segundo explica a equipa de Chin-Lee Wu, do Hospital de Massachusetts, nos Estados Unidos, a investigação foi baseada em metabólitos, pequenas moléculas que são produzidas por reacções químicas no organismo.

Observando as próstatas removidas de cinco doentes com cancro, os cientistas descobriram que era possível usar essa ‘impressão digital química’ para criar um mapa tridimensional do tecido canceroso.

Apesar do grande avanço tecnológico de métodos, ainda há o risco de analisar uma amostra da próstata em que não existe tumor, o que significa que é erroneamente diagnosticado um negativo.

“Apesar da ajuda dos métodos radiológicos, ainda existe uma imperiosa necessidade de novas técnicas para superar estes obstáculos e poder detectar a doença nos seus estados iniciais”, explicam os autores.

Este estudo mediu diferentes metabólitos no tecido da próstata e combinou-os usando tecnologia informática até detectar as regiões de tecido mais alteradas.
Chin-Lee Wu, autor do estudo
Com esta informação somada a uma técnica de imagem como a espectroscopia de ressonância magnética podem detectar-se lesões de cancro com uma precisão de 93 a 97 por cento.

Como explica Wu, é difícil crer que as alterações químicas que se produzem por causa do cancro afectem um único metabólito, e não um conjunto deles. Talvez esta mesma informação sirva no futuro para oferecer outra informação sobre os tumores, como o seu grau de malignidade ou a sua extensão a outros tecidos.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Substância em falta para exames de oncologia e cardiologia será necessária por mais 15 anos

"A produção da substância radioactiva molibdénio, cuja escassez está a provocar atrasos nos exames de diagnóstico de oncologia e cardiologia, vai ser necessária por mais 15 anos, segundo um inquérito realizado pela Associação Europeia de Medicina Nuclear.
O "Diário de Notícias" revela na edição de hoje que várias clínicas e hospitais portugueses estão a adiar exames de diagnóstico em cardiologia e oncologia perante a escassez mundial desta matéria-prima essencial à sua realização.
Em causa está a paragem de um dos dois maiores reactores nucleares mundiais que produzem molibdénio, refere o jornal.
(…)
Até agora, os exames urgentes têm sido assegurados, mas para isso é muitas vezes necessário cancelar alguns exames e tornar a marcá-los para quando houver capacidade, disse a médica [Lucília Salgado, médica no Instituto Português de Oncologia de Lisboa], reiterando: "houve alguns períodos mais críticos, mas não tem havido interrupção total de fornecimento".
Apesar de haver exames alternativos, aquela matéria-prima faz falta: "É o nosso cavalo de trabalho", comentou a médica, adiantando que anualmente são realizados milhares destes testes.
"É todo um sistema de trabalho que está a ser abalado porque os nossos equipamentos foram construídos de forma a poder ler com grande eficácia a energia do tecnécio" (substância derivada do molibdénio), sustentou Lucília Salgado, convicta que a sua produção vai ser assegurada, até porque "estão a ser dados passos nesse sentido".
(...)
Para o presidente da Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde, que representa o sector privado, os "casos mais prementes são sempre tratados", com a gestão dos lotes a ser feita "em função das necessidade mais ou menos urgentes".
"Não há propriamente uma consequência drástica para as pessoas que necessitam de realizar estes exames", sublinhou Armando Santos, considerando que esta situação tem "menos impacto" na actividade privada por ter mais de um fornecedor e não ser sujeita a concursos públicos."